Chove uma chuva miudinha,
é noite.
Goteja o telhado,
Perturbando o silêncio,
o gotejar da chuva...
Sussurra me aos ouvidos
o inconfessável, obsceno.
Deitada, a tudo escuto, formando ideias,
obscenas também,
como obsceno é o desejo.
O mesmo de sempre quando penso em ti.
Estou só e na solidão das horas,
o próprio tempo.
Teu olhar expressa desejo...
Explosão de volúpia,
luxúria, pecado.
No telhado a melodia da chuva,
escuto...
Meu corpo chama por ti na noite...
Agora estás em mim...
e eu em ti, no infinito.
Num momento qualquer, o sentir.
Coração palpitante,
respirar ofegante...
O silêncio foge,
a chuva não chove mais...
Goteja no telhado, melodia,
na janela, o vidro baço...
Eu adormeço,
sob o calor do teu abraço...
Leda Beatriz Mattos©
14/12/2016
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