quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Visionária


Caminho a esmo,
Deixo que meus passos
Me levem,
Do nada para lugar nenhum...
Nada nas mãos,
A não ser os calos,
Do trabalho,
De uma vida comum...
Pés descalços,
Pisam suavemente,
Desapercebida,
Segue calmamente...
O porte altivo,
Corpo esguio,
Rugas na pele,
Um dia,  já foi bela...
Roubaram-lhe os sonhos,
E o direito de amar.
As feridas já não doem mais
Só a tristeza no olhar...
Segue,
Louca,
Visionária insana!
Faz tua lenda,
Conta tua história,
Poesia pelo avesso,
Seja princesa,
Submissa,  profana,
Santa ou meretriz.
Pelo menos em seus versos,
De alguma forma,
Você é feliz!!!

Leda Beatriz Mattos

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Ao som de um bolero


Plena,
Envolvente,
Irresistível,
Danço nas estrelas
Ao som de Ravel.
Na evolução do bolero,
No carinho mais terno,
No amor mais puro,
Maduro,
Avassalador...
Dona de meus sentidos,
Desejos,
Fantasias,
Luxúria...
Quero emoção,
Beijo,
Teu corpo,
Tua alma...
Não importa onde estejas
Sei que estás aqui,
Nos gemidos,
No silêncio,
Nas palavras,
Sem nexo.
Nos sentidos,
No sexo,
Bem junto a mim!!!

Leda Beatriz Mattos

Beijo

Sinto o gosto de teu beijo,
Impregnado em minha boca,
nas noites insones,
que antecedem a solidão,
na procura que faço de  nós dois.
Nas despedidas
e na chegada do teu corpo envolvente,
no meu corpo ardente de desejo,
de ser tomado por uma paixão louca.
Ter na boca sabor do teu beijo,
É tesão, que adoça com carícias.
corpo ardente, entre beijos e malícias...
Paixão pura, primitiva,
Sacia o corpo,
Adormece os sentidos,
e a alma fica ainda mais viva!!!

Leda Beatriz Mattos©

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Noite, memórias mortas

Estou aqui,
Na escuridão da noite,
Esperando quem sabe,
A noite eterna...
Nada mais faz sentido,
Memórias mortas!
Tudo transformado em pó,
Imutável...
E nesse momento só,
O improvável...
Flores mortas que se juntam,
Num vestido fúnebre,
Negro como a noite,
Dançam,
Uma melodia lúgubre...
Liberdade!
Sem ferida...
Sem atadura,
Dessa existência,
Perdida e dura!
Sei que não verei mais o dia,
Esquecida do que vivi,
Não estarei mais amanhã aqui!
Noite,
Escura, de memorias mortas!!!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Escurece

O sol se põe sobre o mar,
Na areia morna, observo.
Na cabeça, turbilhões, pensamentos.
Não me reconheço, na mulher
Que ali está,
Olhar perdido, triste.
Sonhos? Apenas quimeras,
Momentos.
Mudei? Sim, por amor!
Perdi o brilho, a cor...
Vesti me de calma, doce, submissa,
De nada adiantou,
Nada mudou...
Silêncio torturante,
Vazio...
Fio da navalha, cortante...
Vida por um fio...
Seria o começo? Sim!
O começo de um fim!!!

Escurece... em mim!!!

Leda Beatriz Mattos

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Eu e o vento

De repente, o céu se fecha,
Cai uma chuva, calma...
Passei um longo tempo na janela
Esperando a poesia  passar.
Quantas vezes o vento
afagou os meus cabelos,
e a chuva molhou o meu rosto...
Fechei meus olhos
me deixei levar...
O vento com suas razões incompreensíveis,
Nem tudo que ele sussurra é verdade,
nem toda verdade ele revela...
Assopra e morde
abre caminhos
bate portas,
fecha janelas...
Me deixa em desalinho
Sufocada com seu calor...
Promete
Afastar os dias ruins...
Faz juras de amor
De um amor sem fim,
traz os passarinhos
especialmente pra mim...
Chama para voar,
Para longe, além mar...
Ser feliz, amar.
Enfim,
Como não dizer sim?
Partir sem lamento,
na chuva,
eu , e meu parceiro,
o  vento...

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Melancolia...

Quando o sol se põe,
Dá me um vontade imensa de escrever. Mas escrever o que?
Meu hoje, nada me inspira escrever...
Meu tempo hoje, é feito de momentos
delicados e doloridos, apaixonadamente exaustos...
Beijei todos os chãos.
Alcancei todos os céus.
Embriaguei me nas voltas
e entonteci nos rodopios...
Enquanto o som da música
se fez ouvir, eu dancei.
Ah, como dancei!
Nos meus passos claudicantes,
Incertos, fui até o final.
Nada mal, para quem viveu o que vivi,
Da calmaria a tempestade,
Tudo em um único segundo...
E quando a música silenciou,
deixei o mundo,
e morri...

Leda Beatriz Mattos©

Eu e o rio, destino

Por vezes penso que sou rio...
Mas sei que não o sou
Sei que, as vezes,  me deixo levar,
Me conduzem...
Mas, tenho leme, direção,
Na verdade, não sou rio!!!
Sorrio...
Conforta me saber,
Que como no água corrente,
Muitos por mim
passaram...
E eu também por eles passei...
Olhares perdidos,
Carente de afagos,
Ânimo, marinheira fugaz!!!
O rio é para sempre,
sim, como tudo na vida...
Por ora, nada mais.
O rio e eu, juntos,
alegra me saber,
que depois de muitos,
ou poucos leitos,
juntos iremos para o mar!!!

Destino, eu e o rio...
O rio segue seu curso, vida...
Eu barco, horizontes, enfim!

Leda Beatriz Mattos©

Noturno II ... Da chuva


Chove uma chuva miudinha,
é noite.
Goteja o telhado,
Perturbando o silêncio,
o gotejar da chuva...
Sussurra me aos ouvidos
o inconfessável, obsceno.
Deitada, a tudo escuto, formando ideias,
obscenas também,
como obsceno é o desejo.
O mesmo de sempre quando penso em ti.
Estou só e na solidão das horas,
o próprio tempo.
Teu olhar expressa desejo...
Explosão de volúpia,
luxúria, pecado.
No telhado a melodia da chuva,
escuto...
Meu corpo chama por ti na noite...
Agora estás em mim...
e eu em ti, no infinito.
Num momento qualquer, o sentir.
Coração palpitante,
respirar ofegante...
O silêncio foge,
a chuva não chove mais...
Goteja no telhado, melodia,
na janela, o vidro baço...
Eu adormeço,
sob o calor do teu abraço...

Leda Beatriz Mattos©
14/12/2016

Elegia

A..deus
Terra que me acolheu com ternura,
e agora me mostra sua outra face, escura.
A.. deus ao mar imenso,
a...deus ao vento.
Despeço-me,
Sem nenhum lamento...
Não há mais voz nessa garganta
que quer gritar sua dor, mas não adianta.
Fim, palavra solitária e errante,
Que jamais permite ir adiante.
Não mais lagos cheios de cores e luzes,
Só o mármore, eternizado em cruzes.
Chega de trajes ridículos, vexames,
de corpo fraco, dos médicos, exames.
A...deus aos olhos, ao calor,
a luz difusa..
Por favor, me esqueçam!!!
Adeus à Poesia,
E a sua Musa!
Lá vem a barca de Caronte,
Para me levar,
Através da bruma fria...

Leda Beatriz Mattos

Imagem Web

Do tempo

............. Do tempo
Estranho passatempo
de não fazer mais nada, que sentir a tua falta,
sentimentos soltos a deriva,
sem encontrar onde amarrar se.
Estranho passatempo de simular odiar te,
desesperado intento de me sentir distante,
condenando me, sem  a menor clemência,
a ser a única, que sofre com a ausência.
Estranho pasatempo de perseguir este sonho,
Bizarro, medonho,
de ser a tua escrava,
com a firme ilusão de ser tua dona.

Enfim...
Se há que crer para ver...
Então acreditarei!
Se há que pedir aos Deuses.
Noite e dia, pedirei!
Se há que chorar...
todas as lágrimas derramarei!
Se há que esperar...
Então, várias vidas esperarei!
Se há que amar...
Como sempre, sem medida amarei!
Se tenho que esquecer...
Sinto muito,
quem ama como eu te amo:
Jamais se rende..
E jamais esquece!!!
Passa  tempo....

Leda Beatriz Mattos

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Poeta ... Estrada

Sem pensar, peguei a estrada
Ser poeta... uma vida…
Caminhando sem desanimar.
No meu coração, a paz fez a morada,
Joguei me às feras,
Sem pensar...
O que ficou lá atrás, esqueci.
Na mão, apenas um lápis,  papel,
Assim prossegui...
As recordações de uma vida,
Levo as na bagagem,
Viagem...
Nada me deterá.
De cara limpa e alma lavada,
Prossigo, sem nada...
Na estrada, nada me espera,
Mesmo assim, prossigo por ti.
Pela sede de te encontrar, irei...
Entre amores que me entrego,
E outros, que fugi..
Há muito já não espero,
não me iludi...
Não estou só, o meu coração ainda bate
Na alma vazia,
Tua lembrança me sacia...
Nada me deterá.
Talvez me espere, além do horizonte.
Com coragem, sigo em frente,
A estrada ainda não chegou ao fim.
Esta estrada não me cansa,
Confiança, compreensão, sinceridade
É tudo que de ti, espero...
Enfim...
Com deslealdade, jamais me alcançará,
Eu sei!
Porque, em outro porto seguro,
Longe de ti,
Eu atracarei...

Leda Beatriz Mattos©

Hoje

Desnuda me ...
Vem, navega por meu corpo nú,
ardente de paixão..
Com sensibilidade,
te afoga em minha ansiedade.
Percorre cada parte de meu corpo,
que deseja estar em ti.
Acaricia me lentamente,
Faz me resurgir,
envolve minha cintura,
beija me com loucura,
Faz me delirar.
Enreda te em meu cabelo,
não me deixes mais escapar.
Olha me nos olhos,
Enquanto tuas mãos,
percorrem meu corpo.
Navega em mim, sem receios,
Deixa me sentir tua firmeza.
Louco de tesão e desejos.
Não demore.
Ama me esta noite,
preciso hoje, sentir,
você  em mim.
Disfrutar o nosso amor,
nesta  noite que não voltará...
Outras virão, eu sei!
Com desejos, suspiros,
E ais...
Mas como esta jamais!!!